CHARLATANISMO EM ONGS OPERA NUMA BOA NO BRASIL
Imaginem uma entidade cósmica mediônica que tem o poder de desviar os ventos, apasiguar tufões e tempestades, conter geadas, mandar chuvas de um lugar para o outro através de poderes sobrenaturais. Uma pista: não é a conhecida personagem Tempestade, dos X-Man, popularissimo gibi e desenho animado da Marvel. Estamos falando da Fundação Cacique Cobra Coral, genuinamente brasileira.
A Fundação Cacique Cobra Coral assessora chefes de Estado, profetiza tempestades, evita geadas, desvia tufões. Também presta serviços para governos estaduais, ministérios, agroindústrias, construtoras e multinacionais. Coordenada pela médium Adelaide Scritori, que diz receber o espírito do Cacique Cobra Coral, principal fonte das previsões meteorológicas, mudanças climáticas e outros serviços paranormais que a fundação diz atender em 17 países e 3 continentes, através de convênios operacionais.
Como dizem, é preciso que seja investigado a relação dessas organizações não-governamentais com os poderes públicos, uma vez que chega a ser chacota, o que estes ditos médiuns tem coragem de afirmar. Este pessoal é digno de um sermão do Padre Quevedo.
Por último, esta “fundação”, que é patrocinada por uma empresa de seguros, (lógico, é a forma mais inovadora que já ví de agregar serviços ao produto) tem também um braço destinado a apoiar a investigação mediônica de casos de sequestro. Neste caso quem recebe o espírito é o filho de Adelaide (nada mais óbvio também, todos os serviços mediônicos numa só consulta).
Entre outras coisas, como prever os episódios do 11 de setembro e propor uma solução para os acontecimentos da crise energética do Brasil, mais recentemente a “fundação” Cacique Cobra Coral tem prestado serviços às Prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo. No Rio, supostamente eles desviaram as correntes climáticas daquela cidade para Minas Gerais para não afetar a cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos. Ou seja, em Minas, quem teve algum prejuízo com as chuvas neste período, pode processar a “fundação” pois é ganho certo. Mesmo a Prefeitura do Rio pode entrar no Procon contra a FCCC, pois vários eventos esportivos do Rio foram cancelados ou atrapalhados pela chuvas e pelo frio.
Já em São Paulo, as investigações pelas causas do acidente devem também contemplar a FCCC por omissão. Se a médiun podia prever e desviar chuvas e ventos, por que não os fez antes retirando as núvens da região do Aeroporto de Cumbica no dia do acidente com o Vôo JJ 3054 da TAM? Segundo a própria FCCC, depois do acidente, por solicitação do prefeito Gilberto Kassab, a médiun teria aumentado a chuva e diminuido os ventos para auxiliar nas operações de resgate.
Como será que o Tribunais de Contas avaliam estas relações entre governos e entidades mediônicas? Aliás, será que o Cacique Cobra Coral paga imposto ou tem personalidade jurídica também?


Isso foi a coisa mais bizarra que eu li hoje.