Também Morre quem Atira - Confronto só gera mais mortes
Deu no que deu. Vocês se lembram dessas cenas abaixo? Traficantes metralhados por atiradores de elite a bordo do Helicóptero da Polícia Civil do Rio de Janeiro na favela da Coréia?? Ação policial que poderia ser muito bem incluída no filme Tropa de Elite.
Lamentavelmente, nesta última sexta-feira, um desses mesmos atiradores de elite, chamado Eduardo Mattos sofreu um duro revés dos traficantes. Desta vez durante uma operação realizada no Morro do Adeus um traficante conhecido como "Carão" efetuou disparos com um fuzil AK-47 contra a aeronave da Polícia e acertou a cabeça do policial Eduardo.
Este é o preço da chamada Política de Enfrentamento empregada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro: A perda de vidas, dos dois lados! Tratar questões de segurança pública como operações de guerra vai trazer à população as mesmas consequências de guerras e guerrilhas urbanas tais como Iraque ou Líbano.
Estatisticamente, numa região urbana dominada pelo tráfico, apenas 5% dos moradores tem ligação efetiva com esta atividade ilícita. Imagine se o seu vizinho resolve enfrentar a polícia com um fuzil, você do seu lado não tem nada a ver com isso. Mas como explicar isso para atiradores que realizam uma chuva negra de chumbo, apesar de atiradores de elite, eles não tem como garantir as balas que se perdem.
Chamar essas ações de "ações de inteligência" é uma tremenda burrice. Temos notícias de operações policiais que são coroadas de êxito sem disparar um único tiro.
- O verdadeiro serviço de inteligência deve extrair o carcinoma criminal sem afetar os cidadãos de bem.
- Deve identificar um por um os elementos envolvidos individualizando suas condutas criminosas dando as condições necessárias para que a Justiça e o Ministério Público possam cumprir seus deveres.
- Não deve ter pressa em apresentar resultados nem estar a serviço do marketing governamental.
- Deve mexer onde nenhuma bala de policial consegue alcançar: no bolso dos trafricantes. Seja coibindo a venda de drogas no varejo, seja identificando as contas bancárias utilizadas para escoamento dos recursos, seja identificando bens utilizados na lavagem de dinheiro ilícito. Nunca vi um traficante chorar pela morte de um comparsa, apenas recruta outro no lugar.
Claro que não queremos soldados portando rosas contra bandidos armados. Entre a vida do bandido e a do policial, que morra o bandido, com certeza. Mas a Política do Enfrentamento, do Confronto é como se colocar um tigre e um leão juntos numa mesma jaula, um dos dois (ou os dois) certamente vão se degladiar até a morte.
Então vamos colocar nossos policiais para coibir todos os delitos, por mais singelos que possam parecer: um pequeno furto, um estacionamento em local proíbido, um policial currupto, uma pessoa portando uma pequena quantidade de droga, um traficante vendendo pedras de crack na esquina. Partir dos delitos de pequeno pontencial ofencivo para os de gravidade maior.
Mas isso custa caro, isso não chama a atenção, isso não gera votos, os getores políticos são mesmo uns idiotas, jogando contra a vida de policiais. Então qual será o resultado? Mais mortes.
