Discurso de Pedro Bial na eliminação de Juliana
Acho que a leitura aí dentro da extraordinaria biografia de Nelson Rodrigues, escrita por Ruy Castro, te influenciou de forma profunda. Hoje, Nelson Rodrigues é tudo o que ele rejeitava. É uma unanimidade, o maior dramaturgo de nossa história, etc e tal. Em vida, Nelson foi atacado: imoral, pornógrafo, subversivo e reácionário ao mesmo tempo.
Nelson Rodrigues que resumiu assim a luta da vida e da obra dele: “A razão é todo um maravilhoso esforço, toda uma dilacerada paciência, toda uma santidade conquistada, toda uma desesperada lucidez”. Isso no Brasil, provavelmente o país mais irracional do mundo.
Nessa edição do BBB, há uma dúvida central. Será que não há vilões dessa vez, ou será que são todos vilões? Só o sombra sabe o mal que se esconde atrás dos corações humanos.
É cruel, é bem cruel, dizer verdades na cara de alguém… de qualquer um. E é também, cruel, muito cruel, isolar alguém, eleger alguém como um leproso dos tempos bíblicos. A gente não gosta de ver correr o sangue dos inocentes, mas quem é inocente?
A dramaturgia, usa do reducionismo para tornar as histórias mais claras. Aí reduz um sujeito a vilão, o outro, a mocinho, e assim a gente entende melhor as histórias.
Só que nessa nova dramaturgia dos realitys shows, inventada e reinventada a cada dia, a propósito, por vocês, vocês muitas vezes se auto-reduzem a esses clichês: mocinho, bandido, do bem, do mal.
Não, não! Voces são muito mais complexos do que personagens. Vocês são indivíduos, com todas a complexidade que isso implica. Cheio de incoerências, de contradições, de buracos negros, de supernovas. Quem quiser ver, pode ver. Quem quiser olhar, é só dar uma espiadinha.
Pois bem, agora vamos à frieza dos números. Dos 26,4 milhões de votos, com apenas 50%… Eu errei! Com 64.400 milhões de votos, com apenas 50% desses votos, fica decretada a eliminação da Juliana.
